A Eucaristia (do grego eucharistia , que significa “ação de graças”) é um sacramento central para a fé cristã, especialmente no catolicismo. Também chamada de Santa Ceia , Ceia do Senhor ou Comunhão , ela remonta às palavras de Jesus durante a Última Ceia:
“Tomai, comei, isto é o meu corpo…”
“Bebei dele todos, porque isto é o meu sangue…” (Mateus 26:26-28)
A Igreja Católica Romana ensina que, na celebração da Missa, o pão e o vinho são transubstanciados – ou seja, sua substância se transforma no Corpo e Sangue real de Jesus Cristo , mesmo que as aparências permaneçam as mesmas.
Essa doutrina é chamada de Transubstanciação , definida no Concílio de Trento (século XVI). Os católicos acreditam que Jesus está realmente presente na hóstia consagrada.
João 6:53-56 – “Quem não come a carne do Filho do Homem e não bebe o seu sangue, não tem vida em si.”
Lucas 22:19 – “Isto é o meu corpo, que é dado por vós.”
1 Coríntios 10:16 – “Porventura o cálice da vitória que abençoamos não é a comunhão do sangue de Cristo?”
A reforma protestante, especialmente com Martinho Lutero e João Calvino, trouxe visões divergentes:
Afirmo a presença real de Cristo , mas não por transubstanciação. Lutero usava o termo consubstanciação , em que o corpo e o sangue estão presentes junto com o pão e o vinho , mas não há transformação da substância.
Defendem a presença espiritual de Cristo na Ceia. Cristo é acessado pela fé , e o pão e o vinho não se transformam , mas apontam para a realidade espiritual.
Acreditam na natureza simbólica da Ceia. O pão e o vinho representam o corpo e o sangue de Cristo, mas não possuem nenhuma mudança mística ou literal.
João 6:63 – “O espírito é o que vivifica, a carne para nada aproveitamento; as palavras que vos tenho aqui são espírito e vida.”
1 Coríntios 11:26 – “Porque todas as vezes que comerdes este pão e beberdes este cálice, anunciais a morte do Senhor…”
Hebreus 10:10-14 – Cristo ofereceu um único sacrifício pelos pecados, para sempre.
1- Para os evangélicos, a Ceia do Senhor não é um novo sacrifício , mas um memorial da morte de Cristo.
2- Hebreus 10:10-14 afirma que o sacrifício foi completo e definitivo.
3- A ideia de que Cristo é “sacrificado” diariamente na missa, para os protestantes, contraria o evangelho da suficiência da cruz.
A Ceia do Senhor é um memorial sagrado e ordenado por Cristo. A diferença central entre católicos e protestantes é se essa presença de Cristo é literal ou simbólica/espiritual.
O entendimento da Ceia tem implicações diretas na visão de salvação, mediação, sacrifício e comunhão.
“Fazei isto em memória de mim.” –Lucas 22:19
Padre: Boa noite a todos! É uma alegria podermos debater sobre um mistério tão profundo da nossa fé. Como católicos, cremos firmemente na Presença Real de Cristo na Eucaristia. Não se trata de um mero símbolo, mas do próprio Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Nosso Senhor, presente sob as espécies de pão e vinho. Jesus mesmo disse em João 6:51: “Eu sou o pão vivo que desceu do céu; se alguém comer deste pão, viverá para sempre; e o pão que eu darei pela vida do mundo é a minha carne.” Como podemos negar uma afirmação tão clara do Mestre?
Pastor: Boa noite, Padre, e a todos que nos ouvem. Agradeço a oportunidade de dialogar. Respeito sua fé, mas precisamos examinar as Escrituras com rigor. João 6, de fato, é um capítulo central nesta discussão. No entanto, quando Jesus fala sobre comer Sua carne e beber Seu sangue, Ele está usando uma linguagem figurada, comum em Seus ensinamentos. Poucos versículos depois, em João 6:63, Ele esclarece: “O espírito é que vivifica; a carne para nada aproveita; as palavras que eu vos tenho dito são espírito e vida.” Isso indica que a “alimentação” de que Ele fala é espiritual, ou seja, crer Nele e em Suas palavras.
Padre: Pastor, com todo o respeito, essa interpretação espiritualiza excessivamente as palavras de Cristo. Se fosse apenas uma figura de linguagem, por que tantos discípulos O abandonariam em João 6:66, dizendo: “Dura é esta palavra; quem a pode ouvir?” Eles entenderam Suas palavras de forma literal, e Jesus não os corrigiu, dizendo: “Não, vocês entenderam errado, é apenas um símbolo.” Ao contrário, Ele se volta aos Apóstolos e pergunta: “Quereis vós também retirar-vos?” Isso mostra a seriedade e a literalidade do que Ele estava ensinando sobre a Eucaristia.
Pastor: Padre, o contexto é fundamental. Os discípulos se escandalizaram porque estavam pensando em uma alimentação canibalística, literalmente comer carne humana. Jesus sabia disso e é por isso que Ele enfatiza o aspecto espiritual em João 6:63. Além disso, observe as palavras da instituição da Ceia do Senhor em 1 Coríntios 11:23-25. Paulo diz: “Fazei isto em memória de mim.” A Ceia é um memorial, uma recordação do sacrifício de Cristo na cruz, não uma repetição ou uma nova encarnação de Sua carne e sangue no pão e no vinho.
Padre: Um memorial, sim, Pastor, mas um memorial que torna presente o que é recordado! Quando Jesus diz “Isto é o meu corpo”, Ele não está dizendo “Isto representa o meu corpo” ou “Isto simboliza o meu corpo”. A palavra grega “estin” (é) é clara. É a mesma palavra usada quando Ele diz “Eu sou o caminho, a verdade e a vida”. Ninguém questiona que Ele é o caminho. Da mesma forma, o pão e o vinho são Seu Corpo e Sangue, por um milagre da transubstanciação, onde a substância do pão e do vinho se transforma na substância do Corpo e do Sangue de Cristo, mantendo apenas as aparências.
Pastor: Padre, cremos que a obra de Cristo na cruz foi um sacrifício único e completo, “feito uma vez por todas” (Hebreus 10:10). A ideia de uma “transubstanciação” e de Cristo sendo oferecido novamente na Missa vai contra a suficiência do sacrifício de Cristo. Se o pão e o vinho se tornam literalmente o corpo e o sangue, então cada Missa seria um novo sacrifício, o que a Bíblia nega. A Ceia é uma celebração da vitória de Cristo, uma proclamação de Sua morte até que Ele venha, como Paulo também ensina em 1 Coríntios 11:26. A presença de Cristo conosco hoje é uma presença espiritual e onipresente, através do Espírito Santo, não uma presença física restrita a elementos sacramentais.
Padre: E é exatamente essa presença única, plena e verdadeira que a Eucaristia nos oferece, Pastor! Não há repetição do sacrifício, mas a atualização do único sacrifício de Cristo no Calvário. A Eucaristia nos permite participar desse sacrifício redentor. É o ápice da nossa fé, o momento em que verdadeiramente encontramos o Senhor ressuscitado. O próprio João 6 nos desafia a uma fé que vai além do que os olhos veem, a crer em Suas palavras literais. A Presença Real é um dom, um mistério de amor que nos une a Ele de forma íntima e inefável.