Desde os primeiros séculos do cristianismo, a Igreja não teve de enfrentar apenas perseguições externas, mas também desafios internos que ameaçavam a integridade da fé. Esses eram chamados de heresias ensinos que, distorcendo a verdade revelada nas Escrituras e transmitidas pelos apóstolos, colocavam em risco a pureza do evangelho.
Essas heresias vinham de dentro das comunidades cristãs , muitas vezes apresentando-se como revelações mais profundas, interpretações alternativas ou tentativas de harmonizar o cristianismo com as filosofias da época.
As heresias antigas trataram de temas centrais, como:
A natureza de Deus
A esperança e a humanidade de Cristo
A obra da salvação
A autoridade das Escrituras
A interpretação da graça, fé e obras
Cada heresia, ao ser confrontada, forçou a Igreja a refletir, esclarecer e formular suas doutrinas com mais precisão. Foi assim que surgiram os grandes concílios ecumênicos, credos e confissões que preservaram a ortodoxia cristã.
Portanto, estudar as heresias antigas não é apenas uma viagem histórica é uma forma de proteger a fé que uma vez foi entregue aos santos (Judas 1:3) e discernir os desvios doutrinários que continuam a surgir em novos formatos até os dias de hoje.
Assim, compreender essas doutrinas equivocadas nos ajuda a reconhecer que a verdade precisa ser guardada com clareza, humildade e fidelidade às Escrituras, pois nem toda exclusão religiosa é necessariamente cristã, e nem toda voz que fala de Deus, fala em nome de Deus.
Descrição: Pregavam que os cristãos deveriam obedecer à Lei de Moisés, inclusive circuncisão e leis cerimoniais.
Autor(es): Grupo judaico-cristão (sem líder específico).
Ano: Desde o século I (veja Atos 15; Gálatas).
Refutado por: Paulo, especialmente na Carta aos Gálatas.
Descrição: Doutrina dualista que separava espírito (bom) e matéria (má); negou a encarnação real de Cristo.
Autor(es): Diversos, como Simão Mago, Valentim e Basílides.
Ano: Século I–III.
Refutado por: Irineu de Lyon em Contra as Heresias (c. 180 dC).
Descrição: Cristo apenas “parecia” ter corpo humano; nega a encarnação literal.
Autor(es): Grupos gnósticos (sem líder único).
Ano: Século I–II.
Refutado por: João em 1 João 4:2-3; Inácio de Antioquia († c. 110).
Descrição: Rejeitava o Antigo Testamento e dizia que o Deus do AT era diferente do Deus de Jesus.
Autor: Marcião de Sinope.
Ano: c. 144 d.C.
Refutado por: Tertuliano, Irineu e a Igreja em geral.
Descrição: Movimento profético radical que dizia que o Espírito Santo ainda revelava novas verdades.
Autor: Montano (com Priscila e Maximila).
Ano: c. 156–200 dC
Refutado por: Irineu, Eusébio de Cesareia, e outros líderes.
Descrição: Negava a divindade plena de Cristo, dizendo que Ele foi criado e não coeterno com o Pai.
Autor: Ário, presbítero de Alexandria.
Ano: c. 318 d.C.
Refutado por: Concílio de Niceia (325 dC); Atanásio de Alexandria.
Descrição: Separava a natureza humana e divina de Cristo em duas “pessoas”.
Autor: Nestório, patriarca de Constantinopla.
Ano: c. 428 d.C.
Refutado por: Concílio de Éfeso (431 dC); Cirilo de Alexandria.
Descrição: Afirmava que Cristo tinha apenas uma natureza, a divina (e não humana e divina).
Autor: Êutiques, monge de Constantinopla.
Ano: c. 448 d.C.
Refutado por: Concílio de Calcedônia (451 dC).
Descrição: Negava o pecado original; Disse que o homem poderia salvar-se por esforço próprio.
Autor: Pelágio, monge britânico.
Ano: c. 405–418 d.C.
Refutado por: Agostinho de Hipona; Concílio de Cartago (418 dC).
Descrição: Rejeitava a validade dos sacramentos realizados por clérigos que foram negados a fé na perseguição.
Autor: Donato Magno.
Ano: c. 311 d.C.
Refutado por: Agostinho de Hipona.