Um dos temas mais delicados e debatidos entre católicos e evangélicos é a intercessão dos santos e, especialmente, de Maria, mãe de Jesus . A divergência não é apenas devocional, mas doutrinária — pois toca diretamente a mediação entre Deus e os homens.
“Pela sua múltipla intercessão, [Maria] continua a alcançar-nos os dons da salvação eterna.”
— Catecismo da Igreja Católica, §969
A prática se fundamenta em uma visão da “comunhão dos santos” , na qual os crentes formam um só corpo em Cristo — vivos e mortos — e podem ajudar uns aos outros espiritualmente.
Para o protestantismo, a intercessão diante de Deus é exclusiva de Jesus Cristo . Invocar santos falecidos ou Maria é visto como incompatível com o ensino bíblico , pois só Cristo é nosso Sumo Sacerdote e único mediador entre Deus e os homens.
“Porque há um só Deus, e um só Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo, homem.”
— 1 Timóteo 2:5
Além disso, muitos protestantes apontam que não há base bíblica para orar a santos ou pedir sua intercessão. A oração é um ato de inspiração, que deve ser dirigida somente a Deus.
Pe. João (católico):
“Assim como pedimos a um irmão da igreja que ore por nós, também podemos pedir que os santos — que já estão glorificados — intercedam por nós diante de Deus. Eles não estão mortos, estão vivos em Cristo!”
Pr. Lucas (evangélico):
“Mas pedir oração a um irmão aqui na terra é diferente de invocar mortos. A Bíblia proíbe invocação aos que já partiram. E mais: Jesus nos ensinou a orar ao Pai em Seu nome, não por Maria, nem por santos.”
Pe. João:
“Maria, como mãe de Jesus, teve um papel especial na história da salvação. Ela não é adorada, mas venerada. Assim como nas Bodas de Caná, ela continua dizendo: ‘Fazei tudo o que ele vos disser.’”
Pr. Lucas:
“Mas isso tira o foco da suficiência de Cristo! Hebreus 7:25 diz que Ele vive para interceder por nós. Se temos acesso livre a Deus pelo sangue de Jesus, por que recorrer a outros mediadores?”
Para os católicos , Maria e os santos são intercessores espirituais, não competindo com Cristo, mas cooperando pela graça.
Para os protestantes , qualquer tipo de mediação espiritual fora de Cristo viola a suficiência e exclusividade de Jesus como nosso Salvador e Sumo Sacerdote.
Essa diferença impacta a oração, a liturgia e a forma como cada tradição entende o relacionamento com o céu.