A doutrina da justificação é uma das maiores divisões teológicas entre católicos e protestantes desde a Reforma Protestante do século XVI. A grande pergunta é: Como o ser humano é declarado diante de Deus?
Para os reformadores, como Martinho Lutero e João Calvino, a justificação acontece somente pela fé, sem a necessidade de obras humanas. A salvação é um dom gratuito de Deus, concedida mediante a fé em Jesus Cristo, baseada em textos como:
“Porque pela graça sois salvos, mediante a fé, e isto não vem de vós, é dom de Deus; não vem das obras, para que ninguém se glorie.”
— Efésios 2:8-9
“Concluímos, pois, que o homem é justificado pela fé, independentemente das obras da lei.”
– Romanos 3:28
A obra salvadora é totalmente atribuída à graça de Deus , e as boas obras são vistas como consequência natural de uma fé verdadeira, não como condição para a salvação.
A Igreja Católica ensina que a justificação é um processo iniciado pela graça, mas que envolve a colaboração humana por meio da fé, das boas obras e dos sacramentos. Ou seja, a fé é essencial, mas não é suficiente sozinha .
“Vedes que uma pessoa é justificada pelas obras, e não somente pela fé.”
— Tiago 2:24
Segundo o Concílio de Trento (1547), que respondeu à Reforma, a justificação “não é somente a remissão dos pecados, mas também a santificação e renovação interior do homem”. O catolicismo defende que os sacramentos (como o batismo, a confissão e a eucaristia) são meios pelos quais a graça de Deus é comunicada ao crente.
Padre Antônio (católico):
“Tiago foi claro: fé sem obras é morta. A fé deve ser viva e ativa. A graça inicia, mas o homem deve cooperar. Até Paulo fala da obediência da fé e de completar a carreira.”
Pr. Elias (protestante):
“Mas a salvação não é recompensada por mérito. Paulo foi enfático: não por obras. As obras confirmam a fé, mas não são instrumento de justificação. Somos salvos para as boas obras — não por elas.”
Padre Antônio:
“E o que dizer de Filipenses 2:12? ‘Desenvolvei a tua salvação com temor e tremor’? Não há espaço para passividade.”
Pr. Elias:
“Sim, mas até o verso seguinte explica: ‘Porque Deus é quem efetua em vós tanto o querer como o realizar’. Até nosso crescimento é fruto da graça.”
A divergência sobre a justificação permanece um dos pilares da separação entre católicos e protestantes. Ambos concordam que a salvação começa com a graça de Deus e a fé em Cristo , mas divergem quanto ao papel das obras no processo.
Os protestantes dizem: “Fé verdadeira gera obras, mas não depende delas.”
Os católicos dizem: “A fé precisa ser vivida em obras e sacramentos.”
Ambos buscam honrar a santidade de Deus e a centralidade de Cristo — o que muda é o caminho até a justificação .